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30/09/2009

SEGREGAÇÃO SOCIO-ESPACIAL

POR EDER LIRA

INTRODUÇÃO

O professor Dr. Roberto Lobato Corrêa fez parte de uma geração que mudou muito a concepção de geografia e o objeto de estudo da mesma. Com esse processo a geografia passou a ser conhecida como “GEOGRAFIA CRÍTICA” que adotava uma postura marxista em relação aos caminhos da ciência. Assim renovou-se a concepção de espaço e de atuação do profissional da área, que teve um papel de identificar e propor soluções para os processos que se desenvolviam.

Em seu livro “O ESPAÇO URBANO” ele identifica, com bases em outras correntes de pensamentos, como se forma uma área urbana e como a mesma age sobre as classes sociais. Também demonstra que a urbanização pode gerar desigualdades sociais, econômicas e étnicas.

No quarto capítulo de sua obra o autor faz uma analise quanto aos processos e formas espaciais tendo como subtítulos a centralização e área central, descentralização e os núcleos secundários, coesão e as áreas especializadas, segregação e as áreas sociais, e a dinâmica espacial da segregação.

No presente resumo será desenvolvido o subtítulo segregação e as classes sociais, o que justifica a posição mais crítica do autor quanto às formas de organização. Também poderão ser citados alguns exemplos no Espírito Santo, ao longo do texto, que comprovem tal tese.

SEGREGAÇÃO E AS ÁREAS SOCIAIS

Quando se faz análises de uma determinada área urbana deve-se considerar os processos que definem a divisão social do espaço O primeiro desses é o de segregação residencial que surgiu com a Escola de Chicago com Robert Park e com Mckenzie.

Como definição compreende-se como uma concentração de tipos de população dentro de um dado território:

“(...) A expressão espacial da segregação é a “área natural”, definida por Zorbaugh como sendo uma área geográfica caracterizada pela individualidade física e cultural. Seria ela resultante do processo de competição impessoal que geraria espaços de dominação dos diferentes grupos sociais, replicando ao nível da cidade processos que ocorrem no mundo vegetal. (CORRÊA, 1993)”.

Logo depois esse conceito foi modificado por Shevky e Bell que o desprendeu das raízes naturais e trazendo uma concepção mais humana. Segundo eles seriam áreas marcadas pela tendência á uniformização populacional que relacionou em três conjuntos de características: status sócio-econômico, urbanização, e etnia. Como exemplos na Região Metropolitana da Grande Vitória-ES (RMGV-ES) podemos citar alguns bairros como os mais elitizados -Praia do Canto ou Praia da costa, em contraposição às regiões menos favorecidas -Flexal em Cariacica e a Grande Terra Vermelha em Vila Velha. Quanto a essa uniformidade CORRÊA (1993) cita, a definição de Castells (1983) definindo-as como “áreas de forte homogeneidade social interna e de forte disparidade entre elas”. Porém é necessário entender que esse processo não se restringe a era capitalista mesmo tendo grande ênfase nesse contexto, ele se origina no aparecimento das cidades e das classes sociais como cita McGee ao analisar as “cidades sagradas” do sudeste asiático, considerando a cidade de Kmer de Angkor, atualmente território cambojano, no século XIII, num contexto pré-capitalista:

“O palácio e os principais templos podiam geralmente ser encontrados no centro das cidades, e em torno delas estavam localizadas as residências da elite da cidade e funcionários. Cercando essa área estavam as ruas dos artesãos, manufatureiros, joalheiros e armeiros. As comunidades dos comerciantes estrangeiros localizavam-se fora dos muros da cidade, junto com os elementos mais pobres da população. A distribuição de poder e a estrutura social espelhavam a diminuição do prestígio social do centro da cidade para a periferia.” (MCGEE, 1967 apud CORRÊA, 1993, p.60 ).

SEGREGAÇÃO E CLASSES SOCIAIS

Quando se observa a espacialização de classes sociais tem-se também o processo de segregação espacial. O que pode ser percebido, segundo Karl Marx, que no capitalismo existe três forças básicas que estruturam as classes sócias: a primária, a residual e as derivativas.

Essas forças são responsáveis pela fragmentação da classe capitalista e proletária, além de formar classes distintas de consumo, culminando no aparecimento de uma classe média burocrata, desvios de consciência e projeção ideológica e o controle sobre a mobilidade social.

Como conseqüência dessas ações observa-se a marcante fragmentação da estrutura social e concentração de atividades e população nas cidades. Esse processo é responsável pelas desigualdades presentes na sociedade urbana.

Pode-se verificar devido ao diferencial da capacidade que cada grupo social tem de pagar pela residência. Essas são resultantes das soluções que as classes sócias encontram para resolver o problema de como e onde morar.

Um outro questionamento freqüente é sobre quem são os responsáveis pela segregação, seguido da resposta mais comum: é o Estado, porém Ele não é o único responsável, e sim um agente. Outro responsável pelo processo é a classe dominante que seleciona para si as melhores áreas excluindo-as do restante da população. Isso acontece quando há o controle do mercado de terras, a incorporação imobiliária, direcionando seletivamente a localização dos demais grupos sociais no espaço urbano.

“A segregação assim redimensionada aparece com um duplo papel, o de ser um meio de manutenção de privilégios por parte da classe dominante e o de um meio de controle social por essa mesma classe obre os outros grupos sociais, especialmente a classe operária e o exercito industrial de reserva” (CORRÊA,1993,p.64)

BIBLIOGRAFIA

CORRÊA, Roberto Lobato. O espaço urbano 2.ed. São Paulo, SP. Ed. Ática, 1993. pp 59-64.

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